Luciano é um professor fora do padrão acadêmico. Na infância, sua inquietação foi atribuída pela mãe à "disritmia", um diagnóstico próprio que abarcava sua energia transbordante. Essa energia encontrava saída na Praça Florida, quintal do mundo onde, dos 2 aos 13 anos, mergulhou em futebol, vôlei, basquete e um repertório vasto de brincadeiras de rua. Foi ali que o mundo se mostrou, com suas luzes e sombras, em um espaço de encanto que as mudanças sociais desfizeram.
Sempre expressou-se mal durante boa parte da vida. Compreender os outros também era difícil, pois projetava uma nobreza mais cinematográfica - herdada dos filmes americanos - do que real.
Sua passagem pelo Exército, no 18º Batalhão de Infantaria Motorizado, foi marcada pelo roubo dos coturnos no primeiro dia. Apreciava a ideia lúdica de ser soldado, dar tiros, exercícios físicos, marchas e jornadas. Mas ser humilhado sem poder rebater o sufocava. A dispensa foi um alívio tanto para ele quanto para o exército brasileiro.
É formado em técnico em Publicidade, Licenciatura em Ciências Biológicas e em Educação Física - Iniciou o curso de Geografia, porém o abandonou na metade numa greve da UFRGS, recusando-se a ocupar suas férias com aulas. Leciona sem aderir à formalidade acadêmica, mas já soube ser a inspiração que levou uma aluna a abraçar a Biologia.
Sua curiosidade e coragem de aceitar os desafios vem do pai, mecânico, que lhe ensinou que aquilo que não se sabe é possível aprender. Já o mundo das histórias chegou pela mãe e pelo irmão, com livros e revistas que traziam respostas e histórias. Com o tempo percebeu que também seria capaz de inventar narrativas.
Movido por essa sede de aprender, Luciano sempre está envolvido em um projeto novo. É talvez essa dispersão criativa que explique por que levou quase trinta anos para concluir e publicar Virtualis.